Embora o montante de R$ 2,3 bilhões soe impressionante, quase metade desse valor já nasce com “dono” e comprometido. Segundo apurações do Blog do Gilberto Leda junto a fornecedores do município, a gestão anterior teria deixado um rastro de mais de R$ 1 bilhão em dívidas relacionadas a contratos de prestação de serviços. Ao divulgar apenas o saldo bruto disponível, Braide ignorou os empenhos não pagos e os serviços já executados que aguardam liquidação.
Os empresários e prestadores de serviços relatam dificuldades severas para honrar compromissos trabalhistas, tributários e operacionais devido à falta de repasses. O cenário aponta para uma crise social iminente, uma vez que diversas empresas já reduziram equipes, interromperam investimentos básicos e admitem o risco real de fechar as portas e promover demissões em massa caso os pagamentos pendentes não sejam definidos.
Nesse cenário turbulento, a prefeita Esmênia Miranda assume o desafio de administrar uma situação financeira extremamente delicada. Enquanto Eduardo Braide tentou sair de cena sob a luz dos refletores de uma suposta eficiência fiscal, Esmênia terá que lidar com o buraco real deixado para trás. Entre os fornecedores, a expectativa agora recai sobre a nova gestão, com muitos apelando para que a sensibilidade e a capacidade técnica da prefeita sejam suficientes para resolver a questão e evitar o colapso das atividades que atendem a população de São Luís.
Ao divulgar uma suposta sobra bilionária em caixa enquanto omitia uma dívida de dez dígitos, o ex-prefeito criou uma narrativa artificial de eficiência administrativa. Na prática, transferiu à sua sucessora a obrigação de administrar cerca de R$ 2,3 bilhões em obras anunciadas para a capital, embora grande parte desse valor não represente investimento real, já que aproximadamente metade dos recursos deverá ser destinada ao pagamento de dívidas acumuladas pela própria gestão anterior.
Com isso, tenta-se construir a imagem de que o ex-prefeito foi um gestor eficiente, enquanto a atual administração corre o risco de ser vista como incompetente ao enfrentar limitações financeiras herdadas e um orçamento comprometido.


